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Cannabis Medicinal no Tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA): O que a Ciência Diz?

  • Foto do escritor: Dra. Karla Monteiro
    Dra. Karla Monteiro
  • 6 de mai. de 2025
  • 5 min de leitura

Atualizado: 24 de jun. de 2025


imagem colorida com a descrição autismo

O que é o Transtorno do Espectro Autista (TEA)?


O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento. O TEA pode se manifestar de formas variadas, desde quadros leves até mais severos, e pode envolver desde dificuldades sutis até desafios significativos no dia a dia.


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1 em cada 100 crianças no mundo está dentro do espectro autista. No Brasil, a conscientização e o diagnóstico vêm crescendo, refletindo a importância do tema para famílias, profissionais de saúde e a sociedade.


Principais características do TEA:


  • Dificuldade na comunicação verbal e não verbal

  • Interesses restritos e comportamentos repetitivos

  • Sensibilidade sensorial aumentada ou diminuída

  • Dificuldade em compreender normas sociais


O diagnóstico precoce e o acompanhamento multidisciplinar são fundamentais para promover o desenvolvimento e a qualidade de vida das pessoas com TEA.


O que é Cannabis Medicinal?


A Cannabis medicinal refere-se ao uso terapêutico da planta Cannabis sativa ou de seus derivados para tratar sintomas ou doenças. Os principais componentes ativos são:


  • Canabidiol (CBD)Não possui efeito psicoativo. É reconhecido por propriedades ansiolíticas, anticonvulsivantes e anti-inflamatórias.

  • Tetrahidrocanabinol (THC): Possui efeito psicoativo. Pode ajudar no controle da dor, náuseas e espasticidade, mas seu uso requer cautela, especialmente em crianças.


Esses compostos atuam no sistema endocanabinoide, presente em todo o corpo humano, regulando funções como humor, sono, apetite e resposta imunológica. O CBD, por exemplo, modula neurotransmissores e pode influenciar sintomas neurológicos e comportamentais.


Panorama Legal


  • Brasil: O uso de Cannabis medicinal é regulamentado pela Anvisa para produtos à base de Cannabis, mediante prescrição médica e importação autorizada. O cultivo para fins medicinais ainda é restrito, mas há decisões judiciais que permitem o autocultivo em casos específicos. Saiba mais na Anvisa.

  • Mundo: Países como Canadá, Israel, Portugal e alguns estados dos EUA possuem legislações mais flexíveis para o uso e pesquisa da Cannabis medicinal, inclusive para o TEA.


Evidências Científicas Recentes sobre Cannabis Medicinal no TEA


O que dizem os estudos?


Nos últimos anos, o interesse pelo uso de Cannabis medicinal no tratamento do TEA aumentou, impulsionado por relatos de melhora em sintomas como irritabilidade, agressividade, hiperatividade e distúrbios do sono.


Uma revisão sistemática brasileira publicada por Santos et al. (2020) analisou os estudos disponíveis sobre o uso de Cannabis medicinal em pessoas com TEA. Os autores observaram que, embora existam relatos de benefícios, como redução de sintomas comportamentais (agressividade, hiperatividade, automutilação) e melhora do sono, a maioria dos estudos é composta por relatos de caso, séries de casos e poucos ensaios clínicos controlados. A revisão destaca que os resultados são promissores, principalmente para o uso do canabidiol (CBD), mas ainda há limitações metodológicas, amostras pequenas e falta de padronização das doses e formulações. Os autores reforçam a necessidade de mais pesquisas robustas, controladas e de longo prazo para confirmar a eficácia e segurança do tratamento.


Benefícios potenciais observados:


  • Redução de crises de agressividade e automutilação

  • Melhora na qualidade do sono

  • Diminuição de ansiedade e comportamentos repetitivos

  • Aumento da interação social em alguns casos


Limitações, riscos e controvérsias:


  • Efeitos adversos como sonolência, alterações de apetite, diarreia e, em casos raros, piora de sintomas comportamentais

  • Falta de padronização nas formulações e doses

  • Estudos ainda limitados em tamanho e duração, muitos sem grupo controle

  • Necessidade de acompanhamento médico rigoroso


Exemplos de estudos e casos

  • Santos et al. (2020):Uma revisão sistemática encontrou que, embora estudos preliminares e relatos de caso sugiram benefícios potenciais dos canabinoides—especialmente o canabidiol (CBD)—na redução de sintomas comportamentais e na melhora da qualidade de vida de pessoas com TEA, as evidências atuais ainda são limitadas. Os autores destacam a necessidade de mais ensaios clínicos robustos, controlados e de longo prazo para confirmar a eficácia e a segurança. Também enfatizam a importância do acompanhamento médico individualizado, devido à variabilidade das respostas e possíveis efeitos adversos. Acesse aqui


  • Bar-Lev Schleider et al. (2019): Estudo observacional com 188 pacientes com TEA, mostrando melhora em sintomas comportamentais e poucos efeitos adversos graves. Acesse aqui 


  • Fusar-Poli et al. (2020): Revisão sistemática que avaliou estudos publicados e em andamento sobre o uso de canabinoides em pessoas com TEA. Os autores concluíram que, embora as evidências preliminares apontem para benefícios potenciais—especialmente com o CBD—ainda há necessidade de mais estudos randomizados, controlados e de longo prazo para estabelecer eficácia e segurança. Acesse aqui


Perguntas Frequentes sobre TEA e Cannabis Medicinal


1. Toda pessoa com TEA pode usar Cannabis medicinal?

Não. O uso deve ser avaliado caso a caso, por médico capacitado, considerando histórico clínico, sintomas e possíveis interações medicamentosas.


2. O tratamento com Cannabis substitui outras terapias?

Não. A Cannabis medicinal pode ser uma terapia complementar, nunca substituindo o acompanhamento multidisciplinar (fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, etc.).


3. Existem riscos para crianças?

Sim. Embora o CBD seja considerado seguro em muitos estudos, efeitos adversos podem ocorrer. O uso de THC em crianças é mais restrito e seu uso deve ser acompanhado por profissionais estudiosos de cannabis medicinal devido ao risco de efeitos psicoativos.


4. É legal no Brasil?

Sim, desde que haja prescrição médica e autorização da Anvisa para importação do produto. O cultivo doméstico só é permitido mediante decisão judicial.


5. Onde buscar produtos seguros?

Produtos devem ser adquiridos por vias legais, com prescrição e acompanhamento médico. Evite produtos de procedência duvidosa ou sem registro.


Onde Buscar Orientação Profissional Segura?


Para quem deseja saber mais ou iniciar um tratamento com Cannabis medicinal, é fundamental buscar profissionais qualificados. Entre eles:


  • Médico de família e comunidade com capacitação em sistema endocanabinoide e prescrição de Cannabis medicinal

  • Neurologistas, psiquiatras e pediatras com experiência no tema

  • Associações de pacientes e ONGs que oferecem suporte e informações atualizadas

  • Anvisa para informações sobre legislação e procedimentos de importação

  • Hospitais universitários e clínicas especializadas


Procure sempre profissionais que estejam atualizados com as diretrizes nacionais e internacionais e que possam oferecer um acompanhamento individualizado e seguro.


Conclusão


O uso de Cannabis medicinal no tratamento do Transtorno do Espectro Autista é um campo promissor, mas ainda em desenvolvimento. As evidências apontam benefícios em sintomas comportamentais e qualidade de vida, porém, os riscos, limitações e a necessidade de mais pesquisas devem ser considerados. O acompanhamento médico é fundamental para garantir segurança e eficácia, respeitando sempre a individualidade de cada paciente.


Se você tem interesse no tema, procure orientação de profissionais qualificados e busque informações em fontes confiáveis. O tratamento do TEA deve ser sempre multidisciplinar e centrado no bem-estar da pessoa.


Dra Karla Monteiro

Médica de Família e Comunidade

CRMSP 183969 RQE 95212

Certificação Internacional em Cannabis Medicinal pela WeCann Academy

Estudiosa do uso terapêutico dos fitocanabinoides, utilizando-os como ferramenta terapêutica quando há indicação de uso.

Estudiosa de metodologias de emagrecimento, distúrbios do sono e obesidade.

Referências

  1. Santos PS, Alves JN, Siqueira AAF, Hallak JEC. Medical cannabis and autism: a systematic review. Rev Psiquiatr Clín. 2020;47(4):97-104. https://doi.org/10.47626/2237-6089-2020-0149

  2. Bar-Lev Schleider L, Mechoulam R, Saban N, Meiri G, Novack V. Real life Experience of Medical Cannabis Treatment in Autism: Analysis of Safety and Efficacy. Sci Rep. 2019;9(1):200. https://www.nature.com/articles/s41598-018-37570-y

  3. Fusar-Poli L, Cavone V, Tinacci S, Concas I, Petralia A, Signorelli MS, Díaz-Caneja CM, Aguglia E. Cannabinoids for People with ASD: A Systematic Review of Published and Ongoing Studies. Brain Sci. 2020 Aug 20;10(9):572. doi: 10.3390/brainsci10090572. PMID: 32825313; PMCID: PMC7563787. https://www.mdpi.com/2076-3425/10/9/572

  4. Organização Mundial da Saúde (OMS). Autism spectrum disorders. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/autism-spectrum-disorders

  5. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Produtos à base de Cannabis.


Este artigo é informativo e não substitui a orientação médica. Sempre consulte um profissional de saúde antes de iniciar qualquer tratamento.

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